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Como lidar com criança que faz xixi na cama?

Como lidar com criança que faz xixi na cama?
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Como lidar com criança que faz xixi na cama?

20 abril, 2022

Entenda o que pode ser feito se o seu filho tem urinado durante a noite involuntariamente

Ter em casa uma criança que faz xixi na cama é uma situação que quase todos os pais já devem ter enfrentado alguma vez na vida. No entanto, quando essa situação se torna uma rotina, podemos estar diante de uma doença chamada enurese noturna, e que requer atenção.

O processo de aquisição da continência urinária e fecal se inicia ao redor dos dois anos e meio de idade. Nessa fase, a criança passa a compreender o que é xixi e cocô, a relacionar a sensação de vontade de urinar ou evacuar com o ato de, efetivamente, fazê-los e surgem os desejos de tentar urinar ou evacuar como os pais, ou seja, no vaso, além de não desejarem mais usar fraldas.

Certamente, o tempo para a aquisição desses “entendimentos” é individual, e não reflete se uma criança é mais ou menos inteligente. Cada uma adquirirá essa habilidade no seu devido tempo. No entanto, quando esse tempo é mais prolongado do que o esperado, precisamos considerar que, talvez, estejamos diante de um problema.

Como regra, para efeito de diagnóstico, a criança que faz xixi na cama pode manter esse padrão até os 5 anos de idade. Antes disso, habitualmente, não é considerado um problema, e não demanda nenhum tratamento. No entanto, sempre que uma criança continue a perder, regularmente, urina enquanto dorme, após os 5 anos de idade, indica-se tratamento especializado.

Afinal, o que acontece com a criança que faz xixi na cama?

A enurese noturna é caracterizada pela perda involuntária de urina durante a noite, ao menos duas vezes durante a semana, em crianças que não apresentem nenhum problema orgânico em seu sistema urinário.

É classificada em enurese monossintomática, quando o único sintoma é a perda de urina à noite, e enurese não-monossintomática, quando a perda noturna se associa a sintomas urinários durante o dia também, como urgência miccional, aumento de frequência e até perdas na roupa. Além disso, existe uma outra classificação quanto ao tempo de aparecimento da enurese. Dessa forma, a enurese é primária, quando a criança nunca adquiriu continência noturna, ao passo que a enurese é secundária quando a criança permaneceu continente por, pelo menos, 6 meses, e passou a perder novamente.

Existem uma série de questões importantes relacionadas à enurese, especialmente no desenvolvimento dos contatos sociais do pequeno com outras crianças, assim como no relacionamento da criança com os pais.

É muito comum os pais acreditarem que o xixi na cama acontece porque a criança é malcriada, preguiçosa ou desatenta, e acabam aplicando castigos para tentar corrigir esse problema. Esta pressuposição cega os progenitores em relação ao sofrimento que essa questão traz aos filhos, e não percebem que o xixi na cama é uma doença que precisa de tratamento.

Por outro lado, as crianças com enurese não se sentem confortáveis e seguras em relacionar-se com outras crianças, por temerem que descubram o sofrimento que enfrentam. No longo prazo, essa criança passa a isolar-se, restringido suas interações sociais, o que, certamente, prejudica seu desenvolvimento pleno.

Causas da enurese noturna

A criança que faz xixi na cama normalmente tem uma combinação de problemas que facilitam o aparecimento dessa doença, no entanto, de maneira geral, podemos entender essa doença como sendo decorrente de um processo mais lento de maturação das vias neurológicas que regulam a micção, de maneira que a aquisição da continência noturna é mais demorada.

Especificando uma pouco mais, essas crianças costumam ter três condições que propiciam as perdas noturnas, que são:

  1. Secreção em quantidade inapropriada do hormônio anti-diurético (ADH) ou vasopressina durante a noite;
  2. Hiperatividade da bexiga;
  3. Limiar de despertar muito alto, isto é, tem um sono muito pesado.

A concentração do ADH tem uma variação circadiana no nosso corpo, de maneira que durante o dia ele está em uma concentração menor e durante à noite está em uma concentração maior. De maneira prática, o ADH diminui o ritmo produção de urina, dessa forma, em situações normais, como ele está aumentado à noite, a produção de urina está diminuída nesse período. É por isso que podemos dormir horas a fio sem precisar ir ao banheiro urinar. No entanto, as crianças com enurese têm a concentração baixa desse hormônio no sangue durante a noite, de maneira que produzem urina como se fosse de dia, o que faz com que a bexiga não consiga suportar a quantidade produzida, culminando nas perdas.

Além disso, a bexiga dessas crianças tem uma “reatividade” maior à presença de urina no seu interior. Esse fenômeno é denominado hiperatividade detrusora, e nada mais é que contrações da bexiga para a eliminação da urina.

Por último, o limiar do despertar aumentado faz com que os estímulos neurológicos de sensação de bexiga cheia e das contrações do detrusor não sejam suficientes para acordar a criança, culminando no xixi na cama. Esse é o padrão que a maioria das crianças com enurese enfrenta.

Um outro ponto importante é que existem fatores genéticos para o aparecimento da enurese. Quando um dos pais teve enurese na infância, a chance de os filhos apresentarem esse mesmo problema é de cerca de 40%, subindo para 70% quando ambos os pais tiveram essa doença.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de enurese é realizado por meio de uma boa avaliação clínica. Nessa conversa, podem ser feitos questionamos sobre o momento em que os sintomas se iniciaram, a frequência de perdas, presença de sintomas durante o dia, padrão de micção e ingestão de líquidos, hábito intestinal, uso de medicamentos, outras comorbidades, histórico familiar e muito mais. A partir disso, é avaliada a necessidade de solicitar exames ou mesmo fazer um diário miccional, para então iniciar o tratamento.

O tratamento da enurese é realizado por meio de uma combinação de técnicas, que vão desde a aquisição de alguns comportamentos até uso de medicações.

Além disso, uma distribuição racional da ingestão de líquidos ao longo do dia, assim como otimizar o funcionamento do intestino, são fundamentais para o sucesso do tratamento. Muitas vezes é necessário o uso de medicações que controlam a hiperatividade vesical e/ou ajustam a quantidade do ADH durante a noite, assim como o uso de alarmes, que ajudam no despertar da criança quando existe a perda de urina.

Como lidar com criança que faz xixi na cama?

Embora seja de indispensável importância procurar um médico ao observar que seu filho vem sofrendo com este problema, existem algumas dicas que podem ser adotadas por pais que se deparem com criança que faz xixi na cama.

O primeiro passo é entender que o xixi na cama recorrente é uma doença, que precisa de tratamento. Apoiar a criança, estar presente para enfrentar esse desafio é fundamental para o sucesso.

O hábito de acordar a criança durante a noite para urinar não ajuda no tratamento. Na verdade, atrapalha bastante, porque prejudica a produção do ADH e outros hormônios que são fundamentais para o seu crescimento e desenvolvimento. Igualmente ruim é usar fraldas à noite, porque traz uma mensagem inapropriada para a criança.

Muito importante também é atentar-se para os casos de enurese secundária. Essa situação, habitualmente, não ocorre por uma imaturidade neurológica do controle da micção, mas sim por adventos estressantes ou angustiantes na vida da criança. Nesse sentido, a enurese pode ser uma resposta a problemas familiares, como divórcio dos pais, falecimento de uma pessoa querida, nascimento de irmão, atritos nos relacionamentos na escola e até mesmo sensação de insegurança ou abuso. Por isso, a atenção é fundamental.

Entre em contato com o Dr. Rafael Locali para saber mais detalhes sobre os tratamentos de enurese e incontinência urinária na infância.

Fontes:

Manual MSD

Sociedade Brasileira de Pediatria

Dr. Rafael Locali

Dr. Rafal Locali
Dr. Rafael Fagionato Locali
Urologista
CRM 133874
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