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Infecção urinária na criança

Infecção urinária na criança
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

A infecção urinária em crianças é uma doença que demanda atenção dos pais e deve ser tratada por um profissional especializado, para evitar complicações à saúde infantil

A infecção do trato urinário (ITU) é uma afecção desencadeada pela presença e multiplicação de bactérias no trato urinário, provocando sintomas como febre, irritabilidade, inapetência, ardência ao urinar, sangramento na urina. Pode ser classificada em ITU baixa (cistite), quando acomete somente a bexiga e habitualmente não provoca febre, e em ITU alta (pielonefrite), quando acomete os rins, provando febre e sintomas clínicos mais exuberantes.

Embora na vida adulta este seja um problema mais comum entre mulheres, a infecção urinária na criança é mais comum entre meninos, especialmente nos 3 primeiros meses de vida, ao passo que, com o crescimento, as meninas passam a ser mais propensas a apresentar infecções do trato urinário.

Os sintomas da infecção urinária em crianças variam de acordo com a idade do paciente, cabendo aos pais e responsáveis ficarem atentos aos sinais da alteração, pois as crianças ou bebês muitas vezes não conseguem sinalizar que algo está errado.

Quais são as causas da infecção urinária na criança?

É importante ressaltar que infecção urinária em criança não é uma doença esperada nessa faixa etária, como resfriados, bronquiolite ou mesmo gastroenterites. Dessa forma, sempre que identificamos uma infecção urinária na criança, especialmente naquelas com menos de 2 anos, devemos considerar a possibilidade de malformações congênitas do trato urinário – que nem sempre podem ser identificadas ao longo da gestação ou ao nascimento.

Dentre as malformações mais comuns que podem desencadear infecção urinária na criança estão:

Entretanto, apesar de termos sempre em mente a possibilidade de malformação congênita, devemos, também, considerar situações mais frequentes, como hábitos de higiene inadequados, alterações gastrointestinais, especialmente constipação, fimose muito acentuada ou mesmo balanites frequentes e até problemas ginecológicos. Claro que, quanto maior a criança, menor a probabilidade de doença congênita.

Sintomas da alteração

Conforme foi explicado, os sintomas da infecção urinária na criança podem variar conforme a idade da criança. Em geral, as principais manifestações clínicas são:

  • Urgência para fazer xixi;
  • Aumento da frequência miccional;
  • Ardor ao urinar;
  • Dor na bexiga, nas costas ou na região abaixo do ventre;
  • Febre;
  • Presença de sangue na urina.

Em bebês, é importante observar manifestações como:

  • Mudanças na cor e no cheiro da urina;
  • Febre;
  • Perda de peso;
  • Redução do apetite;
  • Irritabilidade;
  • Vômitos;
  • Choro inconsolável;
  • Palidez.

Em crianças mais velhas, que já conseguem explicar com mais propriedade os sintomas, é muito importante tentar entender seu padrão miccional. Caracterizar a intensidade do jato urinário, sensação de esvaziamento completo da bexiga, esforço miccional, intervalo entre as micções e presença de urgência são fundamentais para entendimento de uma possível disfunção miccional.

É possível prevenir infecção urinária em crianças?

O acompanhamento dos pais e responsáveis é essencial para a prevenção da infecção urinária na criança. Um dos principais cuidados diz respeito à higiene íntima, e os pequenos devem aprender a importância de se limpar corretamente após urinar e evacuar, de modo a minimizar as chances de contaminação da região genital, que aumenta o risco de infecção urinária.

Em bebês, esta responsabilidade com a higiene está inteiramente com os adultos, que devem estar atentos para que a fralda não fique suja por muito tempo, sempre higienizando a criança adequadamente a cada troca. Também é recomendado estar atento à hidratação e alimentação adequada, em todas as idades, evitando constipação e/ou fezes endurecidas.

Muitos pais não têm ideia da relação estreita entre a constipação e o surgimento de infecções urinárias. O hábito intestinal saudável com evacuações diárias, com fezes de consistência pastosa evita infecções de urina na criança.  Isso é tão importante, que muitas vezes conseguimos tratar a criança com infecções urinárias de repetição somente ofertando probióticos, fibras e água em volume adequados, com o objetivo de promover a evacuação diária, com fezes pastosas.

Também é recomendado ficar sempre atento à frequência com que a criança vai ao banheiro, observando se ela fica muito tempo segurando xixi ou se está com alguma dificuldade miccional. É fundamental o acompanhamento regular de um pediatra, que poderá identificar alterações de maneira precoce e ajudar na prevenção de doenças urológicas e manutenção da saúde geral da criança.

Eventualmente, precisamos fazer um diário miccional, isto é, a marcação de todas as vezes que a criança urina, assim como o volume urina, e todo o volume de líquido ingerido pela criança, e em quais horários. Isso nos ajuda muito a entender como está a distribuição de líquido ao longo do dia, o intervalo entre as micções e o volume de urina produzido.

Por fim, também é recomendado sempre incentivar hábitos saudáveis nas crianças, tais como prática de atividades físicas, cuidados com higiene e alimentação balanceada.

Diagnóstico e tratamento

Com base nos sintomas apresentados, o uropediatra Dr Rafael Locali poderá solicitar exames de sangue e urina para confirmar o diagnóstico de infecção urinária na criança. Dependendo do caso, o especialista poderá solicitar também exames de imagem para verificar a gravidade da condição e orientar melhor o tratamento. Os exames de imagem também auxiliam na identificação de anomalias estruturais do sistema urinário que podem favorecer a infecção urinária na criança.

Nesse ponto é fundamental desfazer alguns conceitos que acabam gerando imensas preocupações nos pais. O primeiro deles é que o diagnóstico de infecção de urina SOMENTE é feito com o exame de cultura de urina, também chamado de urocultura. Não é possível fazer diagnóstico com exame de urina tipo 1, em que podemos ver somente a presença de leucócitos na urina. Obviamente, a presença de leucócitos na urina sugere infecção, mas não necessariamente, pois existem muitos outros problemas que podem aumentar os leucócitos na urina.

O segundo conceito que devemos esclarecer é que um exame de urocultura positiva, SEM a presença de sintomas clínicos, não, necessariamente é uma infecção de urina, especialmente em crianças que manipulam o trato urinário com sondagens de alívio. Nessa situação recebe o nome de colonização do trato urinário, e NÃO PRECISA de tratamento, a menos sintomas clínicos estejam presentes.

Nesse mesmo sentido, uma urocultura positiva SEM a presença de sintomas clínicos pode ser decorrente de problemas na coleta, como má assepsia da região genital, troca insuficiente dos “saquinhos” estéreis, ou mesmo um descolamento parcial dele, o que facilita a contaminação da urina.

Dito isso, a infecção urinária na criança é tratada, basicamente, por meio da administração de medicamentos antibióticos, preferencialmente, selecionados a partir do antibiograma – parte do exame de urocultura que mostra a sensibilidade da bactéria aos vários tipos de antibiótico.  O médico uropediatra também pode receitar medicamentos para aliviar a dor e garantir maior conforto da criança. Em média, o tratamento medicamentoso dura entre 7 e 10 dias.

A ambiente de tratamento, isto é, hospitalar ou domiciliar, dependerá do estado geral da criança e da gravidade do quadro. Casos mais leves, sem repercussões sistêmicas graves, podem ser tratadas em casa, ao passo que crianças seriamente comprometidas, ou que não conseguem se alimentar adequadamente, precisam de tratamento hospitalar.

Obviamente, orientações de cuidados de higiene, regulação do hábito intestinal, avaliação de sintomas ginecológicos e a presença de fimose fazem parte do tratamento, sendo fundamentais para evitar recorrências do quadro.

Além disso, caso tenha sido identificado que a infecção urina da criança esteja associada a anomalias estruturais do trato urinário, uma avaliação muito minuciosa da malformação é fundamental, para decidir acerca de seu tratamento. Em muitas situações, essa avaliação não é rápida, de maneira que existe a possibilidade de administrar antibiótico profilático para a criança, visando a diminuir o risco de infecções urinárias altas, isto é, pielonefrites, que tem o potencial de provocar perda da função renal no longo prazo.

Prognóstico da doença

O tratamento adequado de infecção urinária na criança e suas causas é essencial para evitar consequências graves à saúde infantil, como a formação de cicatrizes renais, com consequente perda da função renal. É muito raro que crianças que recebam acompanhamento médico apropriado apresentem este tipo de complicação.

Caso o paciente tenha algum tipo de anomalia no trato urinário que não pode ser corrigida ou apresente infecções urinárias de repetição, há maior risco de doença renal crônica no futuro. Em todos os casos, os pais jamais devem tentar medicar as crianças sem orientação médica, pois isso pode selecionar bactérias mais resistentes e tornar o tratamento mais difícil. Sempre consulte um especialista.

Para saber mais a respeito da infecção urinária na criança e tirar todas as suas dúvidas a respeito do tratamento e prevenção desta doença, entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Rafael Locali.

Fontes:

Manual MSD

Sociedade Brasileira de Pediatria

Secretaria da Saúde do Distrito Federal

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