A condição pode causar incontinência, infecções urinárias e alterações genitais, exigindo tratamento cirúrgico para restaurar a função e a aparência dos órgãos
A epispádia é uma anomalia congênita rara que altera a anatomia e o funcionamento do trato urinário, formando uma abertura anormal da uretra. Essa abertura, que normalmente é localizada na ponta do pênis nos meninos ou logo na entrada do canal da urina nas meninas, fica na parte de cima do pênis ou próxima ao clitóris.
Por se tratar de uma alteração estrutural, a condição pode causar perda de urina, aumentar o risco de infecções e provocar mudanças na aparência e no funcionamento da região genital.
A epispádia necessita de diagnóstico e tratamento desde o nascimento para reduzir complicações ao longo da vida. Quanto mais cedo a condição é identificada e corrigida, maiores são as chances de a criança ter uma boa função urinária, menos riscos de infecções e melhor qualidade de vida.
Relação entre epispádia e extrofia vesical
A epispádia e a extrofia vesical fazem parte de um mesmo espectro de malformações conhecido como complexo extrofia–epispádia, que envolve alterações no trato urinário e na parede abdominal. Ainda que sejam condições distintas, elas frequentemente aparecem juntas.
A epispádia é uma condição em que a uretra se abre em uma posição anormal. Ela pode aparecer sozinha, mas com mais frequência está relacionada à extrofia vesical. Quando ocorre de forma isolada, costuma ser menos grave, pois a bexiga está fechada.
Já a extrofia vesical é uma malformação mais grave, em que a bexiga não se fecha corretamente durante o desenvolvimento do feto e pode até ficar exposta fora do corpo. Nesse caso, o tratamento cirúrgico é mais complexo e geralmente precisa ser realizado logo após o nascimento.
O que a epispádia pode causar?
A epispádia pode causar diversos problemas, que variam conforme a posição da abertura uretral e o grau da malformação. Como a uretra não está no local correto, muitas crianças apresentam dificuldade para controlar a urina, resultando em incontinência. Também há maior risco de infecções urinárias, já que o fluxo da urina pode ser inadequado ou a uretra ficar mais exposta.
Além disso, a alteração pode modificar o formato dos órgãos genitais, afetando tanto a aparência quanto a função. Em casos mais graves, essas mudanças podem influenciar a vida sexual e reprodutiva no futuro, especialmente quando não tratadas precocemente.
Sintomas da epispádia na criança
Os sintomas da epispádia podem variar de acordo com a posição da abertura da uretra e o grau de comprometimento das estruturas urinárias. De maneira geral, as crianças com essa condição apresentam sinais visíveis desde o nascimento e alterações no funcionamento do trato urinário como:
- abertura anormal da uretra, observada logo ao nascimento;
- jato urinário irregular ou direcionado para cima, dificultando o controle do fluxo;
- dificuldade ou incapacidade de controlar a urina, já que pode comprometer regiões responsáveis pela continência urinária, levando a escapes frequentes;
- infecções urinárias de repetição, resultado do refluxo urinário, do esvaziamento incompleto da bexiga ou da maior exposição da uretra a microrganismos;
- alterações perceptíveis nos órgãos genitais, como formato diferente do pênis ou do clitóris;
- sensação de ardor ou desconforto para urinar;
- presença de extrofia vesical nas formas mais graves, quando a bexiga pode estar aberta ou exposta.
Como identificar epispádia na criança?
Na maioria dos casos, o diagnóstico da epispádia é feito apenas pela aparência dos órgãos genitais logo após o nascimento. O pediatra identifica visualmente que a abertura da uretra está fora do local normal, o que costuma ser suficiente para confirmar a condição.
Em situações mais severas, quando há suspeita de extrofia vesical associada, o diagnóstico pode ocorrer ainda na gestação. A partir da 15ª semana, ultrassons mais detalhados podem identificar alterações na formação da bexiga ou da parede abdominal.
Após o diagnóstico, são solicitados exames complementares para avaliar o trato urinário superior e identificar outras possíveis malformações. Entre os exames mais comuns estão ultrassonografia renal e vesical, exames urodinâmicos e, em alguns casos, ressonância magnética.
Tratamento para epispádia: a correção cirúrgica
O tratamento da epispádia é cirúrgico. A cirurgia tem o objetivo de corrigir a posição e a estrutura da uretra, permitindo que a criança urine de forma adequada. Além disso, ela reduz o risco de infecções e melhora o aspecto estético dos órgãos genitais.
A recomendação é realizar a cirurgia ainda no primeiro ano de vida, desde que a criança esteja em boas condições de saúde. Isso ajuda a reduzir o risco de infecções e favorece o desenvolvimento psicossocial, evitando que a criança cresça com dificuldades urinárias.
Quando o pênis está curvado para cima, essa curvatura é corrigida. Depois, a uretra é reconstruída e a saída da urina é colocada no lugar certo. A ponta do pênis também é ajustada para ficar com aparência mais natural. Se a perda de urina estiver ligada a problemas na área onde a bexiga se fecha, essa região é reparada.
Nas meninas, além de reconstruir a uretra, o cirurgião também pode precisar remodelar a região do monte de Vênus, ajustar a posição dos pequenos lábios e reconstruir o clitóris quando ele está dividido.
Qual médico realiza o diagnóstico e tratamento da epispádia?
O diagnóstico e o tratamento da epispádia devem ser feitos por um urologista pediátrico, profissional especializado em malformações do trato urinário e na realização de cirurgias reconstrutivas em crianças.
Em casos mais complexos, especialmente quando a epispádia está associada a outras anomalias urológicas ou anatômicas, como a extrofia vesical, o acompanhamento costuma envolver uma equipe multidisciplinar. Além do urologista pediátrico, podem participar do tratamento nefrologistas pediátricos, fisioterapeutas pélvicos e psicólogos.
Qual a diferença entre epispádia e hipospádia?
Epispádia e hipospádia são malformações diferentes que afetam a uretra. A principal diferença entre elas é o local onde a abertura uretral se forma. Na epispádia, essa abertura aparece na parte superior do pênis nos meninos ou próxima ao clitóris nas meninas. Na hipospádia, a abertura fica na parte inferior do pênis, variando desde a ponta até áreas próximas ao escroto.
A hipospádia é muito mais comum e, na maioria dos casos, apresenta excelente prognóstico após a cirurgia, com ótimos resultados funcionais e estéticos. Já a epispádia tende a ser mais complexa porque pode comprometer o controle da urina, especialmente quando está associada à extrofia vesical.
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