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Testículo fora do lugar

Testículo fora do lugar
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Testículo fora do lugar

29 maio, 2019

Se você percebeu que o testículo do seu bebê não desceu para o lugar certinho não se assuste. O nome disso é criptorquidia e acontece de 4-8% dos recém-nascidos a termo, podendo chegar a 45% dos pacientes prematuros. Normalmente, os testículos migram para o escroto nos últimos meses da gestação, e ao nascimento eles devem estar posicionados corretamente.

Quando notamos, logo no nascimento, que os testículos não estão no escroto, precisamos identificar em qual lugar ele está. Como na grande maioria das vezes o testículo está no canal inguinal, basta que façamos uma boa palpação da região da virilha para senti-lo. No entanto, às vezes, isso não é tão fácil, especialmente naquelas criancinhas que choram bastante!

Nesses casos, precisamos fazer alguns exames de imagem que nos ajudam a identificar o testículo, e o mais comum dos exames é o ultrassom. De fato existem exames mais sofisticados, como a ressonância magnética, mas não ajuda muito mais que o ultrassom.

Porque o testículo do bebê não desceu?

Ninguém sabe ao certo porque que o testículo não desce corretamente. Dentre as possíveis explicações estão problemas hormonais durante o crescimento intra-uterino, problemas no desenvolvimento de uma estrutura chamada gubernáculo, entre outras causas.

No entanto, sabemos que o testículo fora do lugar pode estar associado a uma grande quantidade de síndromes, mas o mais comum é aparecer de maneira isolada (tabela 1). Existem alguns fatores de risco para o testículo fora do lugar como prematuridade, baixo peso ao nascimento, hérnias inguinais, etc.

Tabela1: Condições associadas à criptorquidia

Existe mais de um tipo de Criptorquidia? Quais são?

 

Quando falamos em tipos de criptorquidia, temos que considerar a classificação que usamos no dia a dia. Dessa forma, quando estamos diante de uma criancinha que não tem um ou os dois testículos no escroto precisamos seguir o seguinte raciocínio:

  • O(s) testículo(s) são palpável(is) no canal inguinal? Se sim estamos com o problema resolvido! Se não são palpáveis, precisamos investigar com mais cuidado e pedir um exame de ultrassom;
  • O exame de ultrassom mostrou os testículos no canal inguinal? Se sim o problema foi resolvido! Se não, estamos diante de uma situação com algumas possibilidades
    1. O(s) testículo(s) esta(ão) dentro do abdome (lembrando que os testículos se formam no interior do abdome e durante o desenvolvimento é que eles migram para o escroto)
    2. O(s) testículo(s) se formaram e atrofiaram (isso pode ocorrer e se chama testículo evanescente, normalmente por causa de uma torção testicular ainda no intra-utero)
    3. O(s) testículo(s) não se formaram
  • Dessa forma, precisamos tentar encontrar esse testículo no interior do abdome, e para isso o melhor exame é uma laparoscopia diagnóstica. Nele colocamos uma pequena câmera dentro do abdome e procuramos com muito cuidado o testículo lá dentro. Caso consigamos encontrar o testículo já podemos até fazer uma parte do tratamento, como veremos mais abaixo!

Dessa forma, considerando essa forma de raciocínio, temos a seguinte classificação de criptorquidia:

 

Existe algum tipo de tratamento para reposicionar o testículo?

O tratamento da criptorquidia é essencialmente cirúrgico. Discute-se na literatura o tratamento hormonal, porém, os resultados com esse tipo de abordagem não são satisfatórios.

Um ponto extremamente importante no tratamento é definir quando devemos operar. Dessa forma, nunca operamos pacientes antes dos 6 meses de idade, porque durante esse período o testículo pode terminar de descer. Se a criancinha tiver nascido prematura, esperamos completar os 6 meses de idade ajustada, ou seja, esperamos completar 6 meses de idade considerando que ela tivesse nascido no tempo certo (ex: se a criancinha nasceu com 7 meses, quando ela tiver 6 meses de idade, na verdade, ela teria 4 meses de idade ajustada, pois teríamos que considerar que, se ela tivesse nascido com 9 meses, ela teria 4 meses agora).

Não existe uma idade limite para esse tipo de cirurgia, mas sabemos que após os 2 anos de idade, as alterações testiculares são irreversíveis, e quanto mais tempo passar, maiores serão os danos testiculares. Por isso, normalmente optamos pela cirurgia entre os 6 meses e 2 anos de idade.

Se o testículo está no canal inguinal, a cirurgia é realizada com uma pequena incisão (mais ou menos 1,5-2 cm) na região inguinal e através desse acesso conseguimos realizar uma série de manobras cirúrgicas para o testículo ficar bem posicionado no escroto. Por outro lado, se o testículo estiver dentro do abdome, habitualmente precisaremos realizar duas cirurgias. Inicialmente liberamos o testículo no interior do abdome e tratamos os vasos que nutrem o testículo e em um segundo procedimento conseguimos levar o testículo para o escroto com segurança.

No entanto, caso identifiquemos um testículo muito machucado, já atrofiado, optamos, invariavelmente, pela remoção do testículo, devido a um risco muito grande de câncer de testículo, como veremos mais abaixo. É interessante lembrar que, na situação de remoção do testículo, temos a chance de colocar uma prótese testicular, para a criança não se sentir esteticamente deslocada. Ao longo dos anos vamos trocando a prótese para acompanhar o desenvolvimento!

 

O que acontece se a criptorquidia não for tratada?

Os testículos precisam de um “ambiente” ótimo para seu desenvolvimento. Quando ele está fora do lugar, ele não tem esse “ambiente” ótimo, de maneira que ocorrem lesões importantes e permanentes. Por isso, a função testicular fica prejudicada na produção de espermatozoides, o que pode causar infertilidade, na produção hormonal (especialmente nos casos bilaterais), causando déficit de testosterona e aumenta, consideravelmente o risco de câncer de testículo.

Por isso, não demorem para procurar ajuda caso tenham qualquer dúvida sobre o posicionamento dos testículos do seu filhinho!

Abs!
Dr. Rafael F. Locali | Urologista | CRM 133874

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Dr. Rafal Locali
Dr. Rafael Fagionato Locali
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