O procedimento é indicado para restaurar o fluxo normal da urina, preservar a função renal e prevenir complicações como infecções
A ureterocele é uma alteração presente desde o nascimento que ocorre quando a extremidade do canal responsável por levar a urina dos rins até a bexiga sofre uma dilatação em sua entrada na bexiga, formando uma espécie de bolsa.
Ainda que algumas crianças sejam assintomáticas inicialmente, a ureterocele pode dificultar a passagem da urina, favorecer infecções urinárias e comprometer o funcionamento dos rins quando não tratada.
A seguir, entenda quando a correção cirúrgica da ureterocele é indicada, como é feito o procedimento e o que esperar do pós-operatório.
Como o diagnóstico da ureterocele é confirmado?
Muitos casos de ureterocele são identificados ainda durante a gestação por meio do ultrassom obstétrico. Após o nascimento, o diagnóstico costuma ser resultado da investigação de sintomas como infecção urinária de repetição, dilatação dos rins, dor abdominal, alterações urinárias ou incontinência.
O primeiro exame realizado geralmente é o ultrassom das vias urinárias, que permite visualizar a dilatação do ureter e alterações nos rins e na bexiga. O urologista pediátrico pode solicitar exames complementares, como:
- uretrocistografia miccional (UCM ou VCUG), que identifica a presença de refluxo vesicoureteral, situação em que a urina retorna da bexiga em direção aos rins durante a micção;
- cintilografia renal, que avalia a função de cada rim individualmente e verifica se existe obstrução ao fluxo urinário ou perda de tecido renal;
- ressonância magnética para fornecer um detalhamento anatômico antes da cirurgia.
Quando a correção cirúrgica da ureterocele é indicada?
A cirurgia de ureterocele não é indicada para todos os casos. Em algumas situações, especialmente quando a alteração é pequena e não provoca sintomas ou prejuízo à função renal, o acompanhamento periódico pode ser suficiente.
Porém, a correção cirúrgica da ureterocele passa a ser indicada quando existe risco de comprometimento do sistema urinário ou surgem complicações, como:
- obstrução significativa da passagem da urina;
- infecções urinárias recorrentes;
- refluxo vesicoureteral associado;
- prejuízo da função renal identificado nos exames;
- aumento progressivo da ureterocele;
- dor, dilatação importante dos rins ou outras alterações clínicas.
A decisão do momento da correção cirúrgica da ureterocele é individualizada e leva em consideração a idade da criança, os sintomas apresentados, a anatomia do trato urinário e os resultados dos exames de imagem.
Como é feita a cirurgia de ureterocele?
A técnica para a correção cirúrgica da ureterocele varia conforme o tipo de ureterocele, localização, presença de duplicidade ureteral e grau de comprometimento dos rins.
As duas abordagens mais utilizadas são a punção endoscópica e o reimplante ureteral. Em todo caso, o objetivo da cirurgia é restabelecer o fluxo normal da urina, aliviar a obstrução e preservar ao máximo a função renal.
Punção endoscópica da ureterocele (Abordagem minimamente invasiva)
A punção endoscópica costuma ser a primeira opção para a correção cirúrgica da ureterocele, principalmente em recém-nascidos e lactentes com obstrução urinária.
O procedimento é realizado por via endoscópica, sem cortes externos. Uma pequena câmera é introduzida pela uretra até a bexiga, permitindo que o cirurgião faça uma pequena abertura na ureterocele, esvaziando a dilatação e melhorando imediatamente a drenagem da urina.
Entre as principais vantagens dessa técnica estão:
- procedimento menos invasivo;
- menor tempo de internação;
- recuperação mais rápida;
- baixa taxa de complicações imediatas.
Reimplante ureteral
Quando a anatomia é mais complexa ou a punção endoscópica não é suficiente para resolver o problema, pode ser indicado o reimplante ureteral para a correção cirúrgica da ureterocele.
Nessa cirurgia, o ureter é colocado em uma nova posição dentro da bexiga, permitindo que a urina passe corretamente e diminuindo a chance de voltar para o rim. Dependendo do caso, o procedimento pode ser feito por cirurgia aberta, laparoscopia ou cirurgia robótica.
O que esperar do pós-operatório e da recuperação?
A recuperação depende da abordagem utilizada para a correção cirúrgica da ureterocele. Por ser minimamente invasiva, a punção endoscópica costuma ter internação curta, com alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
No caso do reimplante ureteral, a internação varia de 1 a 3 dias, dependendo se a técnica é aberta, laparoscópica ou robótica. As abordagens por vídeo ou robô costumam ter alta mais rápida e menor desconfortos.
Nos primeiros dias, pode ocorrer ardência ou leve desconforto ao urinar e a urina pode sair levemente rosada. Aos poucos, a criança é liberada para retomar suas atividades.
Importância do uso temporário de cateteres e sondas
Após a correção cirúrgica da ureterocele, o paciente deve usar uma sonda vesical por um curto período para ajudar na drenagem da urina e diminuir a pressão sobre a área operada.
Principalmente no caso de reimplante ureteral, o paciente pode precisar usar um cateter interno chamado Duplo J, que fica entre o rim e a bexiga para auxiliar na cicatrização durante o primeiro mês.
A cirurgia de ureterocele pode deixar sequelas no paciente?
A correção cirúrgica da ureterocele apresenta ótimos resultados quando indicada e realizada corretamente, reduzindo desconfortos e o risco de complicações futuras.
No entanto, como em qualquer procedimento cirúrgico, existe a possibilidade de algumas situações exigirem acompanhamento prolongado, como:
- persistência ou surgimento de refluxo vesicoureteral;
- necessidade de novas intervenções em casos específicos;
- infecções urinárias ocasionais;
- acompanhamento da função renal ao longo do crescimento.
Qual profissional realiza a correção cirúrgica da ureterocele?
A correção cirúrgica da ureterocele deve ser realizada por um urologista pediátrico, especialista no diagnóstico e tratamento das doenças do trato urinário em crianças.
Esse profissional possui treinamento específico para avaliar alterações congênitas do sistema urinário, indicar o momento mais adequado para a cirurgia de ureterocele e acompanhar o desenvolvimento da criança após o tratamento.
Entre em contato com o Dr. Rafael Locali e agende uma consulta.
Fontes
Sociedade Brasileira de Urologia





