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Enurese: Xixi na cama

Enurese: Xixi na cama
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Enurese: Xixi na cama

7 maio, 2019

A enurese noturna, ou xixi na cama, é a micção que acontece enquanto a criança dorme, sem que ela perceba ou sinta. Dizemos que é uma “perda urinária involuntária” durante o sono e atinge cerca de 15% a 20% das crianças que tem mais de 5 anos de idade.

Como acontece?

O processo de desfralde e controle de micção ocorre com o amadurecimento do sistema neurológico da micção, que envolve sensibilidade, interação com outras partes reguladoras do sistema nervoso e produção hormonal. De maneira geral, esse processo se inicia ao redor dos 2 anos. Por isso que o tempo para o controle da micção varia de criança para criança.

Muitas crianças, entre 2 e 4 anos de idade, não conseguem segurar a vontade de fazer xixi quando dormem à noite. Apesar de muitos pais já encararem isso como um problema, como regra, ainda consideramos como uma imaturidade do centro neurológico do controle da micção. No entanto, isso não significa que não podemos estimular a criança, da maneira correta, para que ela se desenvolva mais rapidamente. Porém, quando a criança tem 5 anos e ainda não tem o controle noturno da micção, fazemos o diagnóstico de enurese noturna.

A enurese noturna é mais comum entre os meninos, mas problemas orgânicos, emocionais e até genéticos concorrem para a dificuldade de retenção. Além disso, existe a enurese primária e secundária, monossintomática e polissintomática. Conversaremos somente sobre a enurese primária (que a criança não passou por um período de controle noturno da micção) monossintomática (que só tem perdas à noite, sem nenhuma perda ou queixa miccional durante o dia).

Existem causas físicas para este problema?

Atualmente acredita-se que a enurese é só uma expressão de uma falta de amadurecimento global do sistema nervoso. Por isso, não é incomum a enurese estar associada à coordenação motora pouco desenvolvida, sonolência, dificuldade para manter a atenção e de aprendizado, entre outros.

No entanto, também é muito comum na enurese monossintomática o binômio de sono muito pesado e diminuição da produção do hormônio anti-diurético (vasopressina) durante a noite. Essa combinação faz com que a produção de urina, que deve ser menor à noite por ação da vasopressina (por isso conseguimos dormir 12h sem precisar acordar para ir ao banheiro) ocorra como se fosse de dia e o estímulo gerado pela bexiga cheia não é suficiente para despertar a criança (sono pesado), resultando na perda de xixi.

Além disso, existem causas genéticas para a enurese. Normalmente, um dos pais ou ambos tiveram enurese também. No entanto, sempre precisamos descartar outras causas que poderiam causar aumento de produção de urina e/ou dificuldade para seu controle, como diabetes tipo 1, infecção urinária, entre outros.

Devido ao estresse importante e problemas no convívio social da criança, a enurese primária monossintomática pode associar-se a alguns distúrbios psicológicos. Porém, o inverso também é verdadeiro, isto é, discussões entre os pais, processos de divórcio, problemas na escola, situações de grande estresse como assaltos ou violência também são geradores de perda de urina à noite, mas a isso chamamos de enurese secundária.

Ajude seu filho

A falta de informação priva a criança de ter um acompanhamento médico adequado, pois muitas vezes, a família não entende que isso pode se tratar de uma doença e chegam a pensar que a criança faz xixi na cama por pirraça, malcriação ou até por querer.

O primeiro passo para que isso seja resolvido sem traumas é não agredir a criança e nem o ameaçar.  Além disso, fazer piadinhas mesmo que ele esteja sozinho, contar para o amiguinho achando que por ele ficar envergonhado vai deixar de urinar na cama, só piora a situação.

Para ajudá-lo a enfrentar esta dificuldade, a dica é não dar líquidos à criança pelo menos duas horas antes dela dormir, levá-la ao banheiro antes de ir para a cama e não voltar a colocá-la nas fraldas, pois isso pode confundi-la e retroceder todo seu comportamento.

É necessário tratamento? Como isso deve acontecer?

Ao levar a criança a um urologista pediátrico, pode ser solicitado um histórico familiar e a frequência da enurese, além de um exame físico completo para iniciar uma investigação do caso. Somente a partir disso, os pais passam acompanhar a criança mais de perto, incluindo toda a ingestão de alimentos e líquidos durante o dia.

Outro tratamento que normalmente produz efeitos significativos na resolução do problema é a terapia comportamental. Os resultados são muito positivos, de acordo com pesquisas, de 25 a 30 % dos casos a enurese é resolvida.

As técnicas de tratamento comportamental baseia-se com uma conversa adequada para a faixa etária, para que tanto a família quanto a criança compreenda o processo, utilizando técnicas lúdicas, facilitando o envolvimento de todos.

Dentre as principais atividades indicadas para esse tratamento, estão:

  • Maior controle da micção com hora marcada de preferência com intervalos de 2 a 3 horas, para manter o volume vesical baixo (bexiga vazia). Aumentando o tempo desse intervalo de 15 a 30 minutos, conforme a tolerância. Se a criança estiver na escola, é importante pedir a colaboração da escola.
  • Correção da postura no vaso sanitário para relaxamento adequado do assoalho pélvico, e posição sentada com as coxas levemente afastadas.
  • Usar a tampa do vaso com redutor para apoio completo das nádegas, coluna ereta e levemente inclinada para frente e apoio dos pés, que permita flexão de 90º entre quadril e joelho.
  • Diário miccional – registre os horários que a criança utilizou o banheiro, pode ser em quadro branco, folha de papel, o que for mais fácil e prático para você. Nesse registro, é possível avaliar o progresso das medidas instituídas.
  • Controle da ingestão de líquidos e sua adequação.
  • Dieta alimentar com introdução de fibras para tratamento de constipação. Em alguns casos, é necessário restringir alimentos e bebidas que contenham irritantes da mucosa vesical como pimenta, cafeína e bebida gaseificadas.

É indicado tomar medicamentos ou fazer uso de alarmes?

O tratamento medicamentoso da enurese primária monossintomática baseia-se na administração de vasopressina sintética (DDAVP), com o intuito de diminuir a produção de urina durante a noite e, dessa forma, manter a criança seca. Eventualmente, temos que associar um medicamento anti-colinérgico para controle das contrações involuntárias da bexiga, mas isso não é sempre. Mas é importante lembrar que esses medicamentos tratarão somente o sintoma (perda da urina), dando confiança e melhorando a auto-estima da criança. Em associação, o tratamento comportamental, para o desenvolvimento neurológico, é fundamental, pois é isso que tratará a causa do problema.

Os alarmes também estão sendo utilizados com frequência no tratamento de enurese em crianças. No entanto, os resultados melhores são alcançados em crianças mais maduras.

O aparelho possui três partes:

  • Sensor sensível à urina
  • Caixa de alarme que toca quando os sensores são ativados (o aparelho funciona com bateria)
  • Cabos conectores do tapete e caixa de alarme

O alarme dispara assim que o xixi começa a sair, emitindo som, brilho e vibração. A idéia é que a criança acorde e termine de fazer xixi no banheiro. O uso dos dispositivos tem apresentado bons resultados em 75% dos casos, segundo pesquisas. No entanto, as recaídas podem ser frequentes após suspensão.

Vale lembrar que o objetivo principal do tratamento da enurese noturna em crianças, é controlar os sintomas, promover o desfralde completo e melhorar a qualidade e desenvolvimento da criança. Pense nisso!

Abs!
Dr. Rafael F. Locali | Urologista | CRM 133874

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Dr. Rafal Locali
Dr. Rafael Fagionato Locali
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