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Tratamento da válvula de uretra posterior (VUP)

Médico examinando bebê com estetoscópio
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

10 junho, 2026

O tratamento é feito com cirurgia endoscópica para remover a obstrução e restaurar o fluxo normal da urina

O tratamento da VUP é voltado para uma malformação congênita que afeta os meninos e causa uma obstrução na uretra ainda durante o desenvolvimento fetal, impedindo a passagem normal da urina e comprometendo todo o funcionamento do sistema urinário.

O tratamento precoce é necessário, pois o aumento da pressão na bexiga pode afetar o desenvolvimento dos ureteres e dos rins. Em alguns casos, também pode ocorrer redução da produção de urina e diminuição do líquido amniótico durante a gestação.

A seguir, entenda como o tratamento da VUP é feito, em que momento ele pode ser indicado e por que o diagnóstico precoce é importante para o prognóstico da criança.

O que causa a válvula de uretra posterior (VUP)?

A válvula de uretra posterior (VUP) é uma condição congênita, formada ainda durante o desenvolvimento fetal. Ela acontece quando a uretra não se desenvolve de forma adequada e forma uma pequena membrana na sua parte posterior, criando uma barreira que dificulta a saída de urina da bexiga.

Como consequência, a VUP aumenta a pressão dentro da bexiga e do restante do sistema urinário. Com o tempo, essa pressão pode causar alterações na bexiga e nos ureteres, além de prejudicar o desenvolvimento dos rins.

Em casos mais graves, ainda durante a gestação, pode ocorrer redução da produção de urina fetal e diminuição do líquido amniótico, o que impacta o desenvolvimento de outros órgãos, especialmente os pulmões.

Como é feito o diagnóstico da VUP?

O diagnóstico da válvula de uretra posterior (VUP) geralmente começa ainda durante a gestação por meio da ultrassonografia pré-natal. Esse exame não visualiza diretamente a válvula, mas pode mostrar sinais sugestivos, como dilatação da bexiga e dos rins e espessamento da parede vesical.

Após o nascimento, o diagnóstico é confirmado com exames mais específicos, que avaliam a anatomia e o funcionamento do trato urinário:

  • ultrassonografia: identifica alterações como aumento da bexiga, dilatação dos rins e possíveis sinais de obstrução urinária;
  • uretrocistografia miccional (UCM): é o principal exame para confirmar a VUP, pois mostra o fluxo da urina e permite visualizar a obstrução na uretra;
  • cistoscopia: permite a visualização direta da válvula dentro da uretra, confirmando o diagnóstico em alguns casos;
  • cintilografia renal: pode ser utilizada para avaliar a função dos rins quando há suspeita de comprometimento mais importante.

Em muitos casos, o recém-nascido já é avaliado logo após o parto, especialmente quando há suspeita levantada no pré-natal. A observação da primeira micção e o exame clínico ajudam a complementar a investigação e encaminhar para o tratamento da VUP.

Qual é o tratamento da válvula de uretra posterior (VUP)?

O tratamento da VUP começa com o controle de problemas como infecção, desidratação e dificuldades respiratórias, cuidando do estado geral de saúde do bebê antes de qualquer procedimento.

Em seguida, o objetivo é desobstruir o fluxo urinário o quanto antes, o que é feito removendo o bloqueio na uretra para que a urina consiga sair normalmente da bexiga. Isso é essencial para reduzir a pressão no sistema urinário e proteger os rins e a bexiga de danos.

Como a cirurgia minimamente invasiva para VUP é realizada?

O tratamento da VUP considerado padrão é a ablação endoscópica da válvula, um procedimento cirúrgico minimamente invasivo realizado pela uretra, sem necessidade de cortes externos.

Durante a cirurgia, o médico introduz uma câmera e instrumentos delicados pela uretra para visualizar a região e remover ou abrir a válvula que está causando a obstrução. O procedimento restabelece o fluxo normal da urina e reduz a pressão no sistema urinário, protegendo a bexiga e os rins.

O que acontece se não tratar a VUP?

A gravidade da condição varia de acordo com cada caso, mas sem o tratamento da VUP a obstrução urinária pode causar danos progressivos ao sistema urinário e aos rins.

Como a urina não consegue sair adequadamente, a pressão dentro da bexiga aumenta e isso pode comprometer todo o trato urinário ao longo do tempo, levando a:

  • insuficiência renal crônica, causada pela pressão elevada e pelo refluxo de urina que prejudica os rins;
  • infecções urinárias de repetição, devido à retenção de urina;
  • refluxo vesicoureteral, com retorno da urina da bexiga para os rins;
  • alterações na bexiga (bexiga de esforço), que podem levar a incontinência ;
  • dilatação dos ureteres, causada pela pressão constante no sistema urinário.

Em casos mais graves, especialmente quando o problema começa ainda na gestação, a redução da produção de urina pode afetar o desenvolvimento dos pulmões, levando a complicações importantes no nascimento.

Qual médico realiza o tratamento da válvula de uretra posterior (VUP)?

O tratamento da VUP é feito principalmente pelo urologista pediátrico, que é o especialista responsável por diagnosticar e tratar doenças do trato urinário em crianças.

Em alguns casos, o tratamento da VUP também envolve outros profissionais no período logo após o nascimento e quando há necessidade de acompanhar a função dos rins.

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Fontes

Sociedade Brasileira de Urologia

Dr. Rafal Locali
Dr. Rafael Fagionato Locali
Urologista
CRM 133874
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