A VUP é uma malformação congênita em meninos que causa obstrução da uretra, dificultando a saída da urina
A válvula de uretra posterior é uma malformação congênita que surge ainda durante a gestação e acomete crianças do sexo masculino. Ela ocorre quando se formam dobras ou membranas anormais no interior da uretra, dificultando a passagem da urina da bexiga para o exterior.
Essa obstrução faz com que a bexiga tenha que fazer mais força para eliminar a urina, levando ao espessamento de suas paredes e ao aumento da pressão interna. Com o tempo, essa pressão pode afetar os ureteres e os rins, causando refluxo da urina, dilatação das vias urinárias e prejudicando o desenvolvimento dos rins.
A seguir, entenda as possíveis causas da válvula de uretra posterior, o grau de gravidade da condição, como é feito o diagnóstico, quais são as opções de tratamento e qual especialista procurar.
Entenda a anatomia: por que a VUP ocorre?
A válvula de uretra posterior surge devido a uma alteração no desenvolvimento fetal, ocorrendo nas primeiras semanas de gestação, quando pequenas pregas anormais se formam dentro da uretra, criando um bloqueio parcial que dificulta a passagem da urina da bexiga para o exterior.
A bexiga e os ureteres precisam trabalhar com mais força para eliminar a urina por causa da obstrução causada pela válvula de uretra posterior. Esse esforço contínuo leva ao espessamento das paredes da bexiga e aumento da pressão interna.
Quando a pressão é muito alta, parte da urina pode voltar para os ureteres, causando o refluxo vesico-ureteral, dificultando ainda mais a saída da urina e prejudicando o desenvolvimento normal dos rins.
Por que afeta apenas meninos?
A válvula de uretra posterior ocorre apenas em meninos porque a uretra masculina possui regiões que não existem na uretra feminina. No início da gestação, uma pequena dobra de tecido que normalmente desaparece permanece, formando a válvula.
A válvula de uretra posterior é uma condição grave?
Algumas podem ter apenas alterações leves, enquanto outras enfrentam complicações sérias. Os impactos da válvula de uretra posterior incluem:
- refluxo da urina dos rins de volta para a bexiga (refluxo vesico-ureteral);
- dilatação da bexiga e dos ureteres;
- danos permanentes aos rins;
- infecções urinárias recorrentes;
- redução do líquido amniótico durante a gestação;
- insuficiência renal e respiratória, podendo comprometer a vida do bebê.
Como a válvula de uretra posterior (VUP) é diagnosticada?
O diagnóstico da válvula de uretra posterior pode ocorrer antes ou depois do nascimento. Durante a gestação, exames de imagem ajudam a levantar a suspeita:
- ultrassonografia obstétrica: permite observar alterações como bexiga dilatada, paredes espessas ou dilatação dos rins (hidronefrose);
- ressonância magnética fetal: usada em casos em que a posição do bebê dificulta a visualização pelo ultrassom.
Após o nascimento, o diagnóstico é confirmado por exames específicos:
- uretrocistografia miccional (UCM): contraste é inserido na uretra do bebê para registrar imagens da bexiga durante o enchimento e esvaziamento, mostrando obstruções ou refluxo da urina;
- cistoscopia: uma câmera muito pequena é inserida na uretra, permitindo visualizar a válvula;
- ultrassonografia renal: avalia dilatação da bexiga e rins;
- cintilografia: verifica a função renal e detecta perda de capacidade dos rins.
Qual é o tratamento da válvula de uretra posterior (VUP)?
O tratamento da válvula de uretra posterior começa sempre pela estabilização da criança, caso haja infecção, desidratação ou problemas respiratórios. Em seguida, é necessário corrigir a obstrução da uretra com procedimentos médicos.
A vesicostomia é um procedimento emergencial em que é criada uma abertura na bexiga para drenar a urina diretamente para a pele. É usada em casos graves para salvar a vida do recém-nascido e será fechada posteriormente.
A fulguração endoscópica é uma cirurgia minimamente invasiva em que uma câmera é inserida na uretra para remover a válvula de uretra posterior, normalizando o fluxo da urina e o funcionamento da bexiga.
Qual médico trata a válvula de uretra posterior (VUP)?
O diagnóstico e tratamento da válvula de uretra posterior devem ser conduzidos por um urologista pediátrico, especialista em problemas urinários de crianças.
Esse profissional acompanha desde o pré-natal, quando há suspeita da condição, até o período pós-natal, garantindo que a obstrução da uretra seja avaliada e tratada de forma adequada.
O Dr. Rafael Locali, urologista infantil com ampla experiência em diagnósticos e cirurgias pediátricas, incluindo procedimentos minimamente invasivos, atua junto a uma equipe multidisciplinar para monitorar a função renal e o desenvolvimento geral da criança. Ele oferece atendimento humanizado, unindo precisão técnica e cuidado com o bem-estar do paciente.
Agende uma consulta para acompanhamento especializado da saúde urológica do seu filho.





