Alteração congênita que dificulta a saída da urina do ureter para a bexiga, podendo causar infecções urinárias e comprometimento da função renal
O megaureter obstrutivo primário é uma condição presente desde o nascimento que afeta os ureteres, os tubos que levam a urina do rim até a bexiga. Normalmente, esses canais têm um diâmetro fino e conduzem a urina de forma contínua e coordenada, permitindo que a bexiga se encha aos poucos.
No entanto, no megaureter obstrutivo primário, a parte final do ureter, perto da bexiga, é mais estreita, dificultando a passagem da urina e causando dilatação do ureter acima desse ponto.
Entender essa condição é fundamental, pois o acúmulo de urina pode comprometer a função renal e levar a complicações ao longo do tempo. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para preservar a saúde dos rins.
Quando o megaureter obstrutivo primário é identificado?
O megaureter obstrutivo primário geralmente é identificado antes do nascimento, durante as ultrassonografias. Nesses exames, é possível perceber uma dilatação do ureter e das cavidades renais, frequentemente classificada como hidronefrose no laudo.
A dilatação pode afetar apenas um lado ou ambos os ureteres e variar de intensidade. Em muitos casos, o megaureter obstrutivo primário pode melhorar gradualmente à medida que a criança cresce, mas é importante acompanhar de perto para evitar complicações.
No entanto, nem todos os casos são identificados no período antenatal. Em crianças que não apresentam sintomas ao nascimento, a condição pode ser descoberta mais tarde, quando exames de imagem são solicitados por causa de dores, infecções ou acompanhamento de rotina.
O que causa o megaureter obstrutivo primário?
O megaureter obstrutivo primário acontece por alterações presentes desde o nascimento na junção entre o ureter e a bexiga, que atrapalham o funcionamento da parte final do ureter. Entre os principais fatores que causam essa condição estão:
- alterações na estrutura do ureter: a parede da parte final do ureter pode apresentar aumento de tecido fibroso e redução das fibras musculares, tornando a região menos capaz de conduzir a urina;
- problemas na contração do ureter: o segmento distal pode não se contrair de forma adequada, dificultando que a urina seja empurrada para a bexiga;
- anomalias funcionais da junção ureterovesical: alterações na conexão entre ureter e bexiga podem causar estreitamento funcional, bloqueando parcialmente o fluxo urinário.
Consequências dos casos graves de megaureter obstrutivo primário
Quando não é diagnosticado ou tratado, o megaureter obstrutivo primário pode levar a complicações sérias. A obstrução no ureter aumenta a pressão dentro do canal e do rim, o que pode causar dilatação do rim e, nos casos mais graves, perda da função renal. Se ambos os ureteres forem afetados, existe risco de insuficiência renal severa.
A urina acumulada também favorece o surgimento de infecções urinárias recorrentes, que podem evoluir para infecção renal ou, em situações extremas, para infecção generalizada que ameaça a vida. Além disso, o acúmulo de urina pode facilitar a formação de cálculos nos rins.
O megaureter obstrutivo primário apresenta sintomas?
Muitas crianças com megaureter obstrutivo primário são assintomáticas, principalmente quando a condição é detectada antes do nascimento. Em alguns casos, podem apresentar sintomas, como:
- infecções urinárias recorrentes;
- dor lombar constante;
- presença de sangue na urina;
- aumento progressivo da dilatação do ureter ou hidronefrose;
- dor abdominal ou nas laterais do tronco causada pela pressão da dilatação;
- massa abdominal palpável em casos mais graves;
Como o tratamento funciona?
O tratamento do megaureter obstrutivo primário depende da gravidade da condição. Quando a criança não apresenta sintomas, o acompanhamento é clínico, com exames de imagem periódicos para monitorar a dilatação e a função renal. Em algumas situações, pode ser indicado o uso de antibióticos profiláticos para prevenir infecções urinárias.
O procedimento mais comum para a resolução do megaureter obstrutivo primário é o reimplante ureteral, que corrige a obstrução na junção entre o ureter e a bexiga. Durante a cirurgia, o segmento dilatado do ureter pode ser remodelado e a parte distal que não se contrai adequadamente pode ser removida.
Existem diferentes técnicas para realizar a cirurgia, incluindo a abordagem aberta, laparoscópica e robótica. Em alguns casos, é possível optar pela dilatação endoscópica da junção ureterovesical, um procedimento minimamente invasivo que permite uma recuperação rápida.
Quando o reimplante ureteral é indicado como tratamento?
O reimplante ureteral é a cirurgia indicada para restaurar o fluxo normal da urina e preservar a função renal quando existe algum dos seguintes sinais:
- função renal diferencial (DRF) abaixo de 40% ou queda detectada em exames de acompanhamento;
- piora da dilatação do ureter ou do rim, mesmo que a criança não apresente sintomas;
- infecções urinárias recorrentes;
- dor lombar persistente.
Qual médico trata o megaureter obstrutivo primário em crianças?
O megaureter obstrutivo primário em crianças deve ser tratado por um urologista pediátrico, especialista em doenças do trato urinário infantil. Esse profissional é responsável por identificar a condição, acompanhar a função renal ao longo do tempo, solicitar exames de imagem, indicar tratamentos clínicos quando necessários e realizar cirurgias, como o reimplante ureteral.
O Dr. Rafael Locali atua no tratamento do megaureter obstrutivo primário e de outras condições urológicas pediátricas. Ele acompanha de perto cada criança, priorizando cirurgias minimamente invasivas sempre que possível, o que proporciona recuperação mais rápida, menos dor e menor risco de complicações.
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